sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"... as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais"

Graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Recebi o texto há pouco de um amado irmão e como ele amavelmente compartilhou quero também fazê-lo. O texto é preciso em seu conteudo. Não sei a data em que o texto foi escrito por A.W. Tozer, nascido em 1897, mas fiquei impressionado com as palavras contemporâneas que vivemos. Grifo a expressão contante no texto: 'Parece-se com a antiga cruz, mas
é diferente: as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.'.

Conceda-nos o Senhor graça para que continuemos vivendo o Evangelho da Transformação, não o da momentânea superficialidade.

Em Cristo Jesus,

Levy seu conservo a serviço da Cruz (Antiga) de Cristo.



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A Cruz Antiga e a Nova - Tozer


Totalmente sem aviso e desapercebida, uma nova cruz surgiu nos círculos
populares evangélicos nos tempos modernos. Parece-se com a antiga cruz, mas
é diferente: as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

Desta nova cruz brotou uma nova filosofia da vida cristã, e dessa nova
filosofia proveio uma nova técnica evangélica - um novo tipo de reunião e
uma nova espécie de pregação. Esta nova evangelização emprega a mesma
linguagem da antiga, mas seu conteúdo não é o mesmo e a sua ênfase não é
como antes.

A cruz antiga não fazia barganhas com o mundo. Para a jactanciosa carne de
Adão, ela significava o fim da jornada. Punha em execução a sentença imposta
pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana; ao contrario, é
uma companheira amigável e, se corretamente entendida, é fonte de oceanos de
boa e limpa diversão e de inocente prazer. Ela deixa Adão viver sem
interferência. A motivação da sua vida não sofre mudança; o seu prazer
continua sendo a razão do seu viver, soa que agora ele se deleita em cantar
coros e em ver películas (filmes) religiosas, em vez de cantar canções
obscenas e beber bebidas alcoólicas fortes. A tônica ainda está no prazer,
embora agora a diversão esteja agora num superior plano moral, se não
intelectual.

A nova cruz estimula uma abordagem evangelística nova e inteiramente
diversa. O evangelista não exige renuncia da velha vida para que se possa
receber a nova. Ele não prega contrastes; prega similaridades. Procura
caminho para o interesse do publico mostrando que o cristianismo não faz
exigências desagradáveis; ao invés disso, oferece a mesma coisa que o mundo
oferece, só que num nível mais alto. Seja o que for que o mundo enlouquecido
pelo pecado reclame para si no momento, com inteligência se demonstra que
exatamente isso o evangelho oferece, só que o produto religioso é melhor.

A nova cruz não destrói o pecador; redireciona-o. Aparelha-o para um modo de
viver mais limpo e mais belo e poupa o seu respeito próprio. Àquele que é
auto-afirmativo, ela diz: "Venha e afirme-se por Cristo". Ao egoísta diz:
"Venha e exalte-se no Senhor". Ao que procura viva emoção diz: "Venha e goze
a vibrante emoção do companheirismo cristão". A mensagem crista sofre torção
na direção da moda em voga, para que se torne aceitável ao publico.

A filosofia que está por trás desse tipo de coisa pode ser sincera, mas sua
sinceridade não a faz menos falsa. É falsa porque é cega. Falta-lhe por
completo todo o significado da cruz.

A antiga cruz é um símbolo de morte. Ela representa o abrupto e violento fim
do ser humano. Na época dos romanos, o homem que tomava sua cruz e se punha
a caminho já tinha dito adeus a seus amigos. Não voltaria. Estava saindo
para o termino de tudo. A cruz não fazia acordo, não modificava nada e nada
poupava; eliminava o homem, completamente e para sempre. Não procurava
manter boas relações com a sua vitima. Feria rude e brutalmente, e quando
tinha terminado o seu trabalho, o homem já não existia.

A raça de Adão está sob sentença de morte. Não ha comutação nem fuga. Deus
não pode aprovar nenhum fruto do pecado, por mais inocente ou belo pareça
aos olhos dos homens. Deus salva o indivíduo liquidando-o e, depois,
ressuscitando-o para uma vida nova.

A evangelização que traça paralelos amistosos entre os caminhos de Deus e os
dos homens é falsa para Bíblia e cruel para as almas de seus ouvintes. A fé
crista não é paralela ao mundo; secciona-o. Quando vimos a Cristo, não
elevamos a nossa velha vida a um plano mais alto; deixamo-la aos pés da
cruz. O grão de trigo tem de cair no solo e morrer.

É preciso que nos, que pregamos o Evangelho, não nos consideremos como
agentes de relações publicas enviados para estabelecer boa vontade entre
Cristo e o mundo. É preciso que não nos imaginemos comissionados para tornar
Cristo aceitável ao grande comercio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à
educação moderna. Não somos diplomatas, mas profetas, e a nossa mensagem não
é um acordo, mas um ultimato.

Deus oferece vida, não porem uma velha vida melhorada. A vida que Ele
oferece é vida posterior à morte. É vida que se mantém sempre no lado oposto
ao da cruz. Quem quiser possui-la, terá de passar sob a vara.. Terá de
repudiar-se a si próprio e aquiescer-se à justa sentença de Deus que o
condena.

Que significa isso para o indivíduo, para o condenado que desejar achar vida
em Cristo Jesus? Como poderá esta teologia ser transferida para a vida?
Simplesmente, é preciso que ele se arrependa e creia. É preciso que ele
abandone os seus pecados e então prossiga e abandone a si mesmo. Que não
cubra nada. Que não procure fazer acordo com Deus, mas incline a cabeça para
o golpe do severo desprazer e Deus e reconheça que merece morrer.

Feito isso, que ele contemple com singela confiança o Senhor ressurreto, e
do Senhor lhe virão vida, renascimento, purificação e poder. A cruz que deu
cabo a vida terrena de Jesus agora põe fim ao pecador; e o poder que
levantou Cristo dentre os mortos agora o ressuscita para uma nova vida ao
lado de Cristo.

A qualquer que faça objeção a isso ou que o considere meramente como uma
estreita e particular visão da verdade, permita-me-se dizer que Deus fixou
Seu caminho de aprovação nesta mensagem, desde os dias de Paulo até ao
presente. Quer exposto nestas exatas palavras quer não, tem sido este o
conteúdo de toda pregação que tem trazido vida e poder ao mundo através dos
séculos. Os místicos, os reformadores, os avivalistas, tem posto aqui a sua
ênfase, e sinais, maravilhas e poderosas operações do Espírito Santo deram
testemunho de aprovação de Deus.

Ousaremos nos, os herdeiros desse legado de poder, adulterar a verdade?
Ousaremos apagar com os nossos grosseiros lápis as linhas impressas ou
alterar o modelo que nos foi mostrado no Monte? Não o permita Deus.
Preguemos a velha cruz e conheceremos o antigo poder.



A. W. Tozer
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